João Dória anuncia desistência de pré-candidatura à Presidência


O ex-governador de São Paulo, João Dória (PSDB), retirou sua pré-candidatura à Presidência da República. A decisão foi anunciada pelo próprio Dória, em coletiva de imprensa junto a familiares e a dirigentes do PSDB, na manhã desta segunda-feira (23). A decisão, de acordo com Dória, foi para respeitar o acordo que foi firmado pela legenda em torno da terceira via.

Dória vinha sendo pressionado a desistir da candidatura. Partidos da terceira via queriam sua saída e o ex-governador defendiaque ninguém tinha “o direito de desmerecer, desqualificar e não atender o anseio daqueles que fazem o nosso partido”. No entanto, o entendimento mudou.

Os presidentes de PSDB, MDB e Cidadania deram aval ao nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como candidata única desses partidos na chamada terceira via. A indicação, no entanto, ainda precisava ser referendada pelas executivas nacionais das legendas e Dória resistia na pré-candidatura. Hoje, porém, confirmou a desistência.

Depois de passar a limpo sua vida na iniciativa privada e expor o trabalho que realizou na Prefeitura de São Paulo e no Governo Paulista, o tucano confirmou a retirada da pré-candidatura.

“Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou o nome da cúpula do PSDB. Aceito essa realidade com a cabeça erguida. Me retiro da disputa com o coração ferido, mas a alma leve. Seguirei como observador sereno do meu país sempre com disposição para lutar a guerra que eu for chamado, seja na iniciativa privada ou na pública. Até breve”, disse Dória.

Tebet

A escolha de Simone Tebet para representar a chamada terceira via na eleição presidencial não se explica pela principal informação revelada nas pesquisas de intenção de voto. Com apenas 2% da preferência, a senadora empata, dentro da margem de erro, com o ex-governador João Doria, que chegou a 4% no mais recente levantamento do Ipespe. Em vez da intenção de voto, a resposta que lhe favorece é outra: a rejeição mais baixa. Segundo o instituto, 37% não votariam de jeito nenhum em Simone. Já em relação ao tucano, esse porcentual sobe para 53%.

Mas não é só. Há ao menos mais dois fatores que beneficiam Simone na disputa direta com Doria. O primeiro diz respeito à obrigatoriedade de partidos investirem ao menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral em candidaturas femininas. Com uma mulher disputando a Presidência, o MDB já dará um passo importante no cumprimento da cota, uma vez que campanhas presidenciais devem ter um teto de aproximadamente R$ 70 milhões só no primeiro turno – o partido receberá acima de R$ 417 milhões.

O segundo fator adicional às pesquisas diz respeito ao apoio interno conquistado ao longo dos últimos meses. Diferentemente de Doria, a senadora tem seu nome defendido pelo presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), e conta com a aprovação declarada de 20 dos 27 diretórios estaduais. Essa maioria deve lhe assegurar uma posição confortável na convenção do partido, que costuma ser acirrada.